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Sem chuva, agricultores do DF voltam a conviver com rodízio de água

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Distrito Federal completa 113 dias de estiagem. Ainda sim, reservatórios que abastecem a capital estão com níveis acima do esperado.

Há 113 dias sem chuva, agricultores do Distrito Federal têm que conviver com o rodízio no abastecimento de água. Áreas rurais, às margens do Descoberto e próximas ao córrego Rodeador – em Brazlândia – contam com o fornecimento apenas em dias alternados.

A interrupção no serviço é acompanhada pela Agência Reguladora de Águas (Adasa). Segundo o órgão, a medida faz parte da estratégia de alocação negociada de recursos hídricos – quando a água é disponibilizada em período específicos, no caso, de 12 em 12 horas (entenda abaixo).

A produtora rural Rosany Carvalho vive a situação há, pelo menos, 30 dias e relata perdas no cultivo familiar de flores tropicais. “Estamos desanimados”, diz.

“O prejuízo é grande, porque têm plantas que, se não receberem água, murcham. Têm ainda produtores de hortaliças que perderam 50% da produção.”

Barragem do Descoberto, no Distrito Federal, em imagem de arquivo — Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Ela conta que tem apenas seis horas, em dias alternados, de água disponível para irrigar a plantação. O canal responsável pela distribuição da água tem 32 km de extensão e atende propriedades às margens da bacia do Descoberto.

“Com a baixa umidade e o sol forte, o canal fica muito seco. Assim quando abrem a água, às 6h, ela só chega às 11h na propriedade.”

Rosany diz estar preocupada com o desperdício de água. Durante 513 dias, quase um ano e meio, os moradores do DF conviveram com o racionamento de água.

Agora, segundo a agricultora, muitas pessoas parecem não lembrar que a crise hídrica pode voltar. “Veio a chuva, e o reservatório ficou cheio, mas não tiveram a cautela de continuar ensinando as pessoas a usarem menos”, aponta Rosany.

O que diz a Adasa

Ao G1, o diretor-presidente da Adasa, Jorge Werneck, explicou que o órgão “não impôs restrições de uso acima do Descoberto” e disse que são os proprietários de chácaras da região que fazem a gestão da água que entra no canal.

“Se está acontecendo [falta de água], tem que ir medir e ver se tem agricultor tirando água a mais. E, também, somente um ano de chuva não recupera 3 a 4 anos com pouca chuva.”

Para Werneck, é preciso avaliar as razões “para ver o que está acontecendo”.

Já, em nota, a Adasa cita que a alocação negociada de recursos hídricos vem ocorrendo, nos últimos anos, nas bacias dos rios Jardim, Extrema e Pipiripau. A agência descarta, no entanto, restrições de uso no Descoberto e Santa Maria – principais bacias do DF.

“A duração das restrições está relacionada com a volta das chuvas e do atendimento de vazões mínimas estabelecidas pela Adasa nos pontos de controle.”

Em algumas regiões, como nas áreas abastecidas pelo ribeirão Pipiripau, a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) também participa da negociação – já que, para além da agricultura, o córrego é usado para o consumo doméstico em Sobradinho e Planaltina.

Procurada pela reportagem, a companhia não comentou o caso.

‘Prejuízo’

Ainda em Brazlândia, o agricultor Antônio de Andrade Ramos, de 60 anos, também reclama dos “prejuízos” causados pela falta d’água.

“Desde que se entende por gente”, o produtor rural planta hortaliças e, este ano, com dificuldades de acesso à água para irrigação, conta que optou por cultivar beterrabas.

“Estou plantando beterrabas, que levam até dois dias sem molhar”. Senão, a plantação sofre muito nesse calor.”

Convivendo com o rodízio de água imposto pelo desabastecimento, Antônio conversou com o G1 nesta segunda-feira (23) – quando a temperatura chegou aos 34º C – e o produtor passou mais um dia sem irrigar a plantação.

Mesmo com a estiagem, ele escolheu o início da primavera para renovar a safra e, assim, plantou 7 kg de sementes. A expectativa, conta, é colher até 500 caixas de beterraba.

“Espero que a colheita seja boa e que dê bom preço. Plantei já pensando nessa crise [de água], que conheço há mais de 15 anos.”

Reservatórios

O Distrito Federal não registra chuvas desde 4 de junho. Por enquanto, porém, a falta de precipitação não impactou diretamente no nível dos dois principais reservatórios de água da capital.

Nesta segunda-feira (23) – medição mais atualizada da Agência Reguladora de Águas (Adasa), o Descoberto operava com 77,9% do volume útil, mais do que o valor de referência para o mês: 55%. O de Santa Maria estava em 92,2%, bem acima da previsão de 75%.

E a chuva?

De acordo com a previsão do tempo, as chuvas só devem chegar ao DF a partir desta quarta (25). Antes, o instituto previa a queda da precipitação a partir de outubro.

Fonte: G1 Agro

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